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Refluxo que não melhora com remédio: quando a cirurgia é indicada?

  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Azia frequente, sensação de queimação no peito, refluxo após as refeições e tosse persistente fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Estima-se que entre 20% e 30% da população adulta apresente sintomas de refluxo gastroesofágico em algum grau, segundo dados publicados pela American College of Gastroenterology.


Em muitos casos, o tratamento medicamentoso controla os sintomas. Porém, quando o refluxo persiste mesmo com uso correto dos remédios, é necessário investigar se existe indicação cirúrgica.


O que é refluxo gastroesofágico?


O refluxo gastroesofágico ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago de forma repetida, causando inflamação da mucosa esofágica. Isso acontece, na maioria das vezes, por falha no funcionamento do esfíncter esofágico inferior, estrutura responsável por impedir esse retorno.

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • Azia recorrente

  • Regurgitação ácida

  • Dor retroesternal

  • Tosse crônica

  • Rouquidão

  • Sensação de alimento parado na garganta

Quando esses sintomas ocorrem duas ou mais vezes por semana, o quadro pode ser classificado como doença do refluxo gastroesofágico.

Por que o refluxo pode não melhorar com medicação?


Os medicamentos mais utilizados no tratamento do refluxo, como os inibidores da bomba de prótons, reduzem a produção de ácido gástrico. Estudos mostram que eles aliviam os sintomas em cerca de 60% a 70% dos pacientes.


No entanto, esses medicamentos não corrigem a causa anatômica ou mecânica do refluxo.

Fatores frequentemente associados à falha do tratamento clínico incluem:


  • Hérnia de hiato, presente em até 50% dos pacientes com refluxo moderado a grave

  • Obesidade, que aumenta a pressão intra-abdominal

  • Alterações estruturais do esôfago

  • Relaxamento inadequado do esfíncter esofágico inferior


Nesses casos, o paciente pode até ter alívio parcial, mas permanece dependente de medicação contínua.


Quando a cirurgia para refluxo é indicada?


Diretrizes internacionais apontam que a cirurgia pode ser considerada quando:

  • O paciente apresenta sintomas persistentes apesar do uso correto de medicação

  • Existe dependência prolongada de remédios para controle dos sintomas

  • Há complicações como esofagite erosiva ou estenose do esôfago

  • É diagnosticada hérnia de hiato significativa

  • O refluxo impacta de forma relevante a qualidade de vida


A indicação cirúrgica é sempre baseada em avaliação clínica e exames como endoscopia digestiva alta, pHmetria esofágica e manometria.


O que é a cirurgia antirrefluxo?


A cirurgia antirrefluxo mais realizada é a fundoplicatura, geralmente feita por videolaparoscopia. O procedimento reforça a válvula natural entre o estômago e o esôfago, reduzindo o retorno do conteúdo gástrico.


Estudos de acompanhamento mostram que:


  • Cerca de 85% a 90% dos pacientes apresentam melhora significativa ou resolução dos sintomas após a cirurgia

  • A maioria reduz ou elimina a necessidade de medicação contínua

  • A taxa de satisfação dos pacientes é alta quando há indicação correta


A técnica minimamente invasiva contribui para recuperação mais rápida e menor tempo de internação.

Qual a relação entre obesidade e refluxo?


A obesidade é um dos principais fatores de risco para refluxo gastroesofágico. Dados científicos indicam que pessoas com obesidade têm até três vezes mais chance de desenvolver refluxo em comparação com indivíduos com peso adequado.


O aumento da pressão abdominal favorece o retorno do conteúdo gástrico e piora os sintomas. Em pacientes com obesidade e refluxo grave, a cirurgia bariátrica pode trazer benefícios duplos, auxiliando tanto no controle do peso quanto na melhora do refluxo.


A escolha da abordagem depende de uma avaliação individualizada.

Quais são os riscos do refluxo não tratado?


Quando o refluxo é crônico e não tratado adequadamente, pode evoluir para complicações como:

  • Esofagite crônica

  • Estreitamento do esôfago

  • Esôfago de Barrett, condição que aumenta o risco de câncer de esôfago


Estudos apontam que até 10% a 15% dos pacientes com refluxo crônico podem desenvolver esôfago de Barrett ao longo do tempo.


Como saber se a cirurgia é a melhor opção?


A decisão envolve uma análise cuidadosa de:

  • Frequência e intensidade dos sintomas

  • Resposta ao tratamento clínico

  • Resultados dos exames

  • Condições clínicas do paciente


Por isso, a avaliação com um especialista é essencial para definir a melhor estratégia terapêutica.


Quando procurar avaliação médica?


Se você apresenta:

  • Azia frequente há meses ou anos

  • Dependência diária de medicação

  • Retorno rápido dos sintomas ao suspender o remédio

  • Dificuldade para engolir ou dor persistente é importante buscar orientação especializada.



O refluxo tem tratamento, mas a escolha entre abordagem clínica ou cirúrgica deve ser baseada em critérios médicos, exames e análise individual.


 
 
 

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